segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Objeto e Produto

"... A segunda variável é próprio objeto em si. Qualquer objeto é algo que tem uma existência que podemos apreciar, manusear, transmitir. Os objetos, de certa maneira, ultrapassam ao próprio indivíduo. Este é o problema fundamental. O objeto tem a capacidade de ultrapassar, de se tornar até mais permanente que o próprio homem. A cultura humana tem um significado que é dado pelos objetos desta própria cultura. Quer dizer, os objetos ultrapassam as vivências mesmas dos homens e, de certa maneira, são a herança que o homem deixa. Os objetos também podem ter um sentido presente e sentido passado. A Umberto Eco não interessa a prospecção do objeto. Interessa seu presente, o aqui e o agora. Talvez o quanto o objeto tem uma carga de significado e o quanto pode provocar reações a respeito de sua própria dinâmica."

"... Vejamos agora, o que é, essencialmente, Obra Aberta. Para Eco, uma obra de arte, a grosso modo, é a intenção de elaborar algo que seja inédito e que pelo mínimo, traga uma contribuição que possa alterar algo. Há um intento de inovação, de colocar algo diferente."

"... Como é que posso determinar uma obra de arte? Provavelmente não tenha parâmetros para determiná-la. Entende-se que este seja critério muito vago. Suponha-se que coloque a obra. Ela me causa um impacto, mexe comigo, me irrita. Ela teve, então, um objetivo, que foi irritar o espectador. Agora, se ela deixa o espectador encantado, fascinado, posso dizer que aquela obra é criativa. Há pesquisas neste sentido para medir a criatividade do indivíduo. Quando uma obra mexe com um  ponderável número de pessoas, então pode-se dizer que ela é uma obra de arte. Porém, isto é pouco, porque atinge a uma sociologia da arte. Uma obra de arte num momento atual pode não mexer com ninguém, mas pode ter um valor social, que é aquele valor que se deu naquele determinado momento, naquela época. Porque o indivíduo pode ser tão arguto que enxergue algo que não se conseguiu enxergar com anterioridade. Este indivíduo coloca aquilo que penetra através do tempo. Aquilo, então, é um valor geral da personalidade humana."

"... Poderíamos dizer que uma obra de arte, especificamente, deve ser o suficientemente desafiadora para que leve a contradições e incoerências, embora ela tenha uma coerência estrutural interna. Denominam isto uma obra aberta."

"... A participação do outro neste diálogo chamado arte, e aqui se coloca uma das premissas mais importantes da segunda metade do século vinte: o espectador não é espectador, mas é o continuador, o gerador de uma dinâmica artística. Ele sai desse estado de passividade receptora para entrar no estado de atividade criadora. O leitor poderia argumentar: bem, mas não se compreende a intenção do artista. Não há necessidade de entender a intenção do artista. Uma obra de arte não é para ser compreendida necessariamente, mas ser, provavelmente, incorporada, desafiada e devolvida."

"... Por isto, a arte, poderia dizer agora, é um intercâmbio humano. E a arte é uma linguagem que se refaz continuamente através dos séculos e não pode ser para uns iniciados apenas. É uma linguagem que deve estar a nível emergente e sensível. Não é apenas a inteligência que elabora a arte. É a sensibilidade que faz com que a arte seja algo manuseável, integrante da vida humana."

Psicologia da Arte, Juan José Mourino Mosquera. Editora Sulina, 1973.



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