sábado, 2 de março de 2019

Felicidade versus Trabalho

"... A empresa, por sua própria natureza, é uma instituição total, onívora, que gostaria de absorver o trabalhador o tempo todo. Se pudesse, o faria dormir no emprego. É uma necessidade psicológica, semelhante à que liga a vítima ao seu carrasco, afirma o pensador italiano Domenico de Masi, está nas mãos de quem souber se libertar da ideia de trabalho tradicional. Livrar-se da pura execução para se envolver na criação e na inovação."

"     Para o trabalho criativo e flexível há uma fórmula diferente. Isto é, a eficiência produtiva de novas ideias em termos de quantidade e qualidade, que é o que interessa às empresas pós-industriais, é proporcional à quantidade e à qualidade das ideias produzidas dentro da companhia multiplicada pelas horas de ócio criativo necessárias para produzi-las. Em outras palavras: uma empresa vai tanto melhor quanto mais seus trabalhadores produzem ideias se divertindo. Na fórmula apresentada por Taylor, não estava incluída a felicidade dos trabalhadores. Na minha equação, ela é essencial para multiplicar a eficiência da companhia."

"    Faz 64 anos que escuto que estamos em crise. Todo ano meu país produz 2% ou 3% a mais de PIB e continua repetindo que está em crise. Quando essa crise vai acabar? Esse senso permanente de crise, difundido pelos jornais econômicos e pelas escolas de negócios, é uma arma a mais nas mãos dos diretores. Com isso, eles têm seus funcionários presos pelo medo. Um trabalhador que se sente em crise, que teme ser mandado embora, trabalha mais, não reivindica aumentos nem maior autonomia. A difusão e a gestão do medo de uma crise é a arma de manipulação mais potente que existe atualmente."

"     O profissional que vê a cada dia diminuir essas suas necessidade legítimas deve aprender que o american way of life é capaz de criar riqueza, mas não é capaz de distribui-la devidamente. No entanto, um profissional sozinho não pode fazer nada. No passado, o operário sozinho também não podia fazer muita coisa. Depois que ganharam consciência de que estavam sendo extremamente explorados, eles entenderam que deviam organizar-se. Desse modo, conseguiram impor respeito. Atualmente, os trabalhadores intelectuais passam pelo mesmo problema: precisam aprender a desenvolver essa consciência de que são explorados, de que precisam se unir e se organizar para obter o respeito de seus próprios líderes. A tragédia do trabalhador intelectual está em sua inconsciência e em sua individualidade."

'     Hoje, todo mundo realiza trabalho a distância e não se dá conta. Todos os que falam ao telefone sobre trabalho na estrada, restaurantes, nos aeroportos e nos carros realizam teletrabalho. Mas as empresas, que usufruem dessa total disponibilidade de seus funcionários, não querem reconhecer isso contratualmente. Desse modo, estão pagando a esses gerentes pelas oito horas que ficam no escritório. Na realidade, eles estão trabalhando de 10 a 12 horas. Hoje, as companhias aproveitam muito mais dos trabalhadores intelectuais do que dos não-intelectuais, pois eles são educados a não se lamentar, a não se rebelar e a não se organizar."

Domenico de Masi. Você S.A. Ago2002.

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