"... A história social do indivíduo e do grupo determina a arte. Mas não é só isto. Arte é, ao mesmo tempo, um problema de crítica. Algumas linhas da estética moderna consideram que arte tem obrigações. E aqui chega um dos problemas mais sérios da arte, especialmente considerada nos autores mais modernos. Dizem alguns autores que a arte deve ter uma contestação. Esta é a referência à arte mais atual e, naturalmente, esta é uma estética muito mais viável ao socialismo. A contestação se manifesta através de algo que se denominou crise da sociedade."
"... Para uma estética marxista, a arte é um processo dialético, o que quer dizer que o artista é um ser engajado. Ser artista é participar de uma crítica à sociedade, para os marxistas. Para os não marxistas, o artista é mais ou menos uma pessoa estranha, que tem um papel social não muito determinado, e que em geral é incompreendida no processo social."
"... Em primeiro lugar, considero uma obra de arte em nossa época um intento de expressar uma determinada realidade. Uma obra de arte expressa a realidade do artista, porém, por detrás do artista está a sociedade. O artista é o veículo para devolver a obra na sociedade, mas é um veículo de dois gumes: devolve os problemas sociais interpretados por ele. O artista é uma individualidade social: ele vive a sua época, o seu momento, a sua situação."
"... Para ele é tão valiosa uma obra de arte que agrida ao público quanto a obra de arte que agrada ao público, porque o importante não é a satisfação nem a insatisfação, mas o quanto mexeu, o quanto irritou, o quanto causou efeito, porque uma obra positiva ou negativa, falando em termos de carga, já é considerada uma obra."
Psicologia da Arte, Juan José Mourino Mosquera. Editora Sulina, 1973.

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